Deitou-se preguiçosamente, com um sorriso infantil, e travestida com uma cara de anjo recém caído. Tão doce, ela suspirava, e abraçava o travesseiro mais forte, como se abraçasse a paz. Ela falava meu nome, suplicava, para ser sincero.
Ela ria, dizia que estava frio, que estava tarde e me mandava entrar, ela apertava meus braços com força, eu sabia que ela não queria me deixar ir embora, em seus olhos, o amor pegava fogo. Ela mordiscava meu pescoço, brincava com meu nariz, ela era minha rainha, e eu seu rei.
Ela pedia, com olhinhos doces, sorriso manso, ela vinha com passinhos leves e me dominava todo, ela abraçava meus braços, jurava amores com gosto de café. Ela aparecia com manha, se enroscava em meu peito, e enchia meu ser de ternura. Levantava, tomava aquele banho gostoso, e a casa se enchia de flor.
Ela dançava pelo meio da casa, com a minha camisa de botão branca, e aquela calcinha florida que eu tanto amava. Ela dava um sorriso doce, e me chamava com aqueles olhinhos felizes, eu sempre ia, ela bagunçava meu cabelo, olhava em meus olhos, e todas as vezes arrancava um pedacinho da minha alma.
Ela tinha aquele sopro de luz, que se espalhava por todos os cantos possíveis, ela deixava as roupinhas na penteadeira vermelha, o nosso amor ela inventava, me prendia, me devorava, se escondia e me achava, ela era delicada, com seus cachinhos castanhos. Ela entrava no quarto delicadamente, mostrava a cabecinha, depois os bracinhos, as perninhas... Sentava na cama, olhava nos meus olhos, ela me consumia por inteiro. E não havia coisa que eu gostasse mais.
Ela sabia o melhor pra mim, cuidava dos meus dedos, quando eu fechava a porta nos mesmos, e sempre dava o sorriso, aquele que me deixava todo bobo. Ela sabia que eu era dela, tinha toda a consciência do meu amor, que saltitava ao vê-la. Ela chegava, e trazia certas coisas nos olhos, que nunca consegui explicar. Meus finais de semana eram coloridos de amor azul, que apenas ela trazia na bagagem.
Ela cantarolava pela casa, toda peladinha, com uma cara marota, que apenas nela existia. A geladeira ficava cheia de bilhetinhos coloridos, que ela escrevia com canetinhas cheirosas, antes de sair. Abraçá-la, sempre foi uma eterna aventura, e minha casa só era um lar, quando ela passava pela porta branca, que ela me ajudou a pintar.
No final dos bilhetinhos, ela sempre escrevia: “p.s: Preciso dizer que te amo!”. Ela sabia me fazer feliz, sempre ia embora segunda-feira, cedinho da manhã, deixava a casa com um cheirinho de café, eu acordava, olhava no espelho, e sempre via uma marca de batom, no lado direito do meu rosto.
A mulher mais incrível que já conheci, seu sorriso era coisa abundante, sempre amei seu sorriso. Eu sei, que algum dia encontrarei o fogo daqueles seus olhos, e ela estará de vestido florido, será primavera, pois ela sempre teve cheiro de flor... Ela foi meu ultimo romance.
Naiara