sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Fuga

  Você sabe que no escuro dos meus sonhos, te procuro, como alguém que caça a paz interior desesperadamente. Desejo-te, em cada singular beco úmido, e sofro por cada quilometro que me distancia de você.
 Agora, o medo me beija, como um amante antigo, que conhece cada detalhe sórdido de minha alma escura, como se arrancasse cada defesa desse corpo quase inerte. O medo vem impiedoso, chupa toda minha vitalidade, não como, não durmo, não sou de verdade com ninguém, apenas sei sentir dor...

 Dor que escorre do peito, e machuca o abdômen, dor que se infiltra em minha corrente sanguínea, e me sobe para a cabeça. Não existe analgésico, antidepressivo, não existe nada, apenas uma sala bagunçada, uma cama desarrumada.
 E quem diria que essa dor, um dia foi sorriso. Foi manhã fria, com céu amarelo no final da tarde, madrugada gostosa, com os corpos se aquecendo. E hoje, apenas olho as fotos do tempo em que o sorriso era fácil, e que o abraço me bastava pro dia ser feliz. Hoje existe apenas um resto de mim escondido em tuas poesias.
 E um muito de ti nas minhas, hoje os cigarros são calmantes, os analgésicos são 3 por dia, o sono não da as caras durante a noite, os braços de Morfeu me acolhem apenas durante o dia. Nem os sonhos me livram do tormento que é tua lembrança. Fugirei.

                                                                                                                 Naiara

Nenhum comentário:

Postar um comentário