sábado, 5 de novembro de 2011

E tudo...

  E as cartas, os versos, os beijos, as loucuras, as historias, o romance, tudo... Cada detalhe, por menor que fosse, tudo ficou guardado em algum lugar, algum lugar empoeirado, que com certeza não mexo há muito tempo.
 Ainda assim, é você que enche minhas manhãs, mesmo eu não pensando em você... Mesmo que eu tente não ser, você aparece e me consome toda, cada pedacinho que resta de mim, cada cantinho você rasgou naquele quarto, espalhou, como se espalha roupas no chão.

 Mesmo que eu não as revire, elas estão aqui, sorrindo e dançando, lembrando que um dia eu sorri pra alguém, que coisa estranha, eu sorrindo pra alguém... Tanto tempo já se passou, tantas águas já rolaram, em tantas camas, em tantas bocas, ocas, e sem mel... Quanta vida já vivida, eu aqui e você por ai, que eu nem sei onde fica.
 Nossos sorrisos tão distantes, nossas vidas tão distintas, você um nômade, e eu uma deslocada, sozinha na multidão... Olhar na imensidão do vazio, esperando algum vestígio de luz, nesse lugar que um dia foi coberto por flores... As mais belas pétalas de pureza, regadas com alegria, e o solo coberto de amor... Que coisa chata, lembrar disso, e olhar a atual realidade...
  Solo seco, carne morta, lugar frio, escuro, olhar vago, alma incrédula, menina desesperançada. Realidade chata, mas realidade, e o que existia, não era real.
                 
                                Naiara

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