Todos sabem o que queremos, o que nos faria felizes, um abraço terno... Um sorriso satisfeito ao amanhecer, uma pele quentinha aquecendo a sua, por baixo do cobertor... Os pezinhos gelados brincando de se encontrar.
Os olhares conversando entre si, coisas que jamais verbalizaríamos, os pássaros bem cedo cantando na janela... E o mais incrível de tudo, acordar cedo e não se aborrecer, apenas sentir que você vai ter mais tempo, pra ouvir aquele riso doce, penetrando todas as suas defesas, e achar isso a melhor coisa que já aconteceu.
E depois de acordar, passear na praça, colorida com as folhas de outono. Mãos dadas, enamorados, passos leves, rostos risonhos, bochechas suavemente coladas, pernas bambas, como se fossem dois adolescentes fugidos da escola a se namorar. Beijos roubados, mordiscadas no ombro, e aquele aroma doce, do pescoço alvejando o nariz, embriagante...
Os toques que eriçam os pelos, trocados secretamente... E depois ir para casa, cozinhar juntos, fazer guerra com trigo, se sujar com molho de tomate... Procurar na geladeira tudo, jogar na panela, e ficar feliz com o vento que passa pela janela, esfriando a cozinha, quente em decorrência do vapor das panelas, meladas de amor em movimento.
Durante a tarde, pegar um pote de sorvete e ir pro sofá, ver filmes durante toda a tarde, aquecendo-se com o sorriso do outro um, que ao seu lado está. E entre um encontro ou desencontro do filme, os lábios se encontram pousando-se as línguas em seus devidos portos. E assim se anoitece o dia, se emudece a voz, silenciando o corpo.
Naiara